13 setembro, 2009














Foto: Guga Melgar


Capital Cultural????

Li hoje no Globo que o Rio de Janeiro pode ser considerada a capital cultural do país. Realmente o Rio tem tudo para isso. Muitos teatros, lonas culturais, bares com espaço para shows e espaços belíssimos ao ar livre.

Mesmo assim não temos muito o que comemorar. Existem teatros que estão literalmente largados e que contam com a boa vontade e os recursos de seus administradores e do povo que vai lá apresentar seus trabalhos, para se manterem funcionando, principalmente na zona norte da cidade.

Eu defendo que a cultura não é um bem comercial e acredito que peças, shows, leituras, performances e até festivais de cinema, possam ser baratas e acessíveis ao público. Para que um evento cultural "aconteça" é preciso que ele seja divulgado e que seja uma boa diversão. No primeiro ítem, a mídia tem papel fundamental. Os principais jornais da cidade mantém um caderno de cultura, cuja função, acredito eu, seria divulgar os eventos culturais da cidade e evidentemente destacar os melhores. Já ter um bom espetáculo é função do artista, e decidir o que é "bom" ou "ruim" é função do respeitável público.

Isso foi assim durante muito tempo. Lembro - me bem de quando comecei a enlouquecer e começar a fazer teatro. Foi no início da década de 80. Minha primeira peça "Liberdade Liberdade" foi encenada por minha turma. Atores recém formados de um curso livre de teatro, chamado "o Reator". O curso ficava no Planetário da Gávea, encabeçado pelo Ator Helvio Garcês e com uma constelação de bons professores: Mario Mendes, Claudia Borioni, Gaspar Filho, Abílio Ramos entres outros que por lá passaram. Pois bem, essa peça estreiou com ampla divulgação e fotos em todos os jornais, tivemos tijolinhos em toda nossa temporada, que durou dois mêses e foi prorrogada por mais um. O público gostava da peça. Mas não estaria por lá se não fosse a divulgação.

Hoje, 15 anos depois de meu debut teatral, estou dirigindo O Alcateia. Uma companhia de improvisação formada por alunos da minha primeira turma de 2008. Mês passado estivemos em cartaz no Teatro do América na Tijuca, todos os sábados. Apesar de todo esforço de nossa produtora não conseguimos um único tijolinho no jornal! Ontem estreiamos no teatro do Grajaú Country Club para uma platéia composta apenas por amigos e parentes do elenco. Isso porque contactamos uma assessoria de imprensa que divulgou nossa estréia para TODOS os principais jornais do Rio e não conseguimos um único tijolinho!

Ficam algumas questões:

Para que serve o caderno de cultura dos jornais???

Existem teatros que ganham tijolinos e outros não? Que clube é esse?

É algum preconceito contra a Zona Norte?

Cabe ao caderno de cultura do meu jornal, escolher qual evento cultural merece ou não ganhar um tijolinho?

E finalmente: a quem eu devo pedir, hoje em dia, para que o produto do meu trabalho cultural possa ser divulgado para ser apreciado e avaliado pelo público???

É pedir demais?

Cancelei minha assinatura de "O Globo".

PS.: Hoje eu tenho apresentação na lona cultural de Jacarepaguá.